Moradores de Rio Branco sofrem impacto de paralisação parcial no transporte público: 'Ônibus vem a hora que quer'
17/04/2026
(Foto: Reprodução) População reclama de paralisação de ônibus no Acre
O transporte público de Rio Branco passa por uma redução na oferta de ônibus por conta de reivindicações dos motoristas e demais trabalhadores do setor, por suposto atraso de salários e direitos trabalhistas da empresa Ricco Transportes, que opera o sistema na capital acreana.
Com isso, os usuários do transporte coletivo, que já reclamam de má qualidade no serviço, enfrentam ainda mais dificuldades desde o início da paralisação parcial na quarta-feira (15). Segundo passageiros ouvidos pela Rede Amazônica Acre, a espera por um veículo pode chegar ate a quatro horas no Terminal Urbano, no Centro da cidade.
📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), a redução na oferta de ônibus é de 30% nos horários de pico, entre 6h e 9h, e de 50% nos períodos de menor demanda, entre 9h e 17h, voltando a 30% de diminuição de 17h às 19h.
O g1 e a Rede Amazônica não conseguiram contato com a Ricco Transportes.
Paralisação parcial dos ônibus aumenta tempo de espera por transporte em Rio Branco
Pedro Marcelo/Rede Amazônica Acre
"O São Francisco/Via Incra é o pior ônibus que tem, demora mais de quatro horas. A gente espera, não tem o que fazer. Quem tem que ir para casa cedo -- porque hoje em dia a gente tem que estar em casa cedo -- a população, as pessoas que trabalham, saem de madrugada, querem chegar em casa e descansar e estão aqui, morando no terminal. Desde a madrugada, desde a tarde, moram no terminal. E o ônibus vem a hora que quer", criticou a vendedora Cristiana Fonseca.
LEIA MAIS:
Veja principais pontos do edital de licitação de mais de R$ 1 bilhão do transporte público de Rio Branco
Há mais de 4 anos em contrato emergencial na capital, Ricco alega prejuízo de R$ 8 milhões em 2025
Com impacto de R$ 12,4 milhões, contrato emergencial da Ricco é renovado por mais 6 meses em Rio Branco
"A gente tem que sair mais cedo de casa e, às vezes, eu preciso caminhar uma faixa de 800 metros a 1 quilômetro para poder pegar outro ônibus, porque eu não posso chegar até o terminal. Quando chega aqui, os ônibus estão parados ou senão quebrados", reclamou João Lima, que trabalha como padeiro.
Ainda segundo o homem, os problemas de horários do transporte público são constantes, antes mesmo do início da paralisação. "Era para eu ter chegado e pegado o ônibus, mas eu cheguei e o ônibus ainda não, porque está atrasado. Ninguém sabe o que acontece, ele pode estar quebrado", acrescentou.
Passageiros criticam má qualidade do transporte público de Rio Branco
Pedro Marcelo/Rede Amazônica Acre
Crise
Paralisação parcial de motoristas entra no 3º dia em Rio Branco
A nova paralisação ocorre quase um mês após outra interrupção do serviço ocorrida em 14 de março. À época, foi a empresa Ricco Transportes e Turismo, responsável pelo transporte coletivo na capital, quem determinou que os veículos não circulassem, alegando problemas nos veículos e falta de manutenção nas ruas da cidade.
Naquele dia, 31 linhas foram paradas. A suspensão foi deflagrada um dia após uma outra paralisação de advertência feita por motoristas de ônibus, no Terminal Urbano da capital acreana. Assim como na atual redução de circulação, eles cobravam o pagamento de salários e benefícios atrasados, segundo o Sinttpac. O serviço foi normalizado por volta das 9h do mesmo dia.
As seguidas paralisações ocorrem também em meio à crise enfrentada pelo sistema de transporte coletivo de Rio Branco. A Ricco opera o serviço na capital desde 2022 por meio de contratos emergenciais renovados a cada seis meses, depois do abandono das rotas pela Empresa Auto Aviação Floresta.
Para ajudar na manutenção do serviço, a Prefeitura de Rio Branco repassa um subsídio à empresa. Atualmente, o município paga R$ 3,63 por passageiro transportado, o que permite manter a tarifa em R$ 3,50 para os usuários, sob a justificativa de evitar reajuste no valor pago pelo usuário.
O quantitativo repassado pela prefeitura em 2021 às empresas de ônibus, que somou mais de R$ 2,4 milhões, foi usado somente para pagar parte dos salários atrasados do ano de 2020 dos funcionários.
VÍDEOS: g1