Machos com 'útero'? Pesquisa da USP faz descoberta inusitada sobre jiboias arco-íris

  • 14/05/2026
(Foto: Reprodução)
Jiboia 'arco-íris' encontrada em Vilhena (RO), em 2022. Prefeitura de Vilhena/Reprodução Uma pesquisa realizada no Instituto de Biociências (IB) da USP revelou que a jiboia arco-íris do Cerrado (Epicrates crassus) guarda segredos biológicos surpreendentes, incluindo machos que possuem estruturas parecidas com um útero. O estudo, liderado pelo pesquisador Rafael Anzai, é um exemplo do que a academia chama de "ciência básica", cujo objetivo primordial é expandir o conhecimento sobre famílias inteiras de animais, como a das jiboias e sucuris. Para o pesquisador, entender o ciclo biológico é o caminho necessário para compreender o comportamento e os hormônios dos animais. Além disso, a descoberta não só ajuda a conhecer melhor a espécie, mas também mostra como a educação científica é essencial para valorizar a biodiversidade brasileira. Vídeos em alta no g1 O mistério dos machos com "útero" A parte mais intrigante da pesquisa da USP foi a descoberta de casos de intersexualidade. Em vários machos analisados, o pesquisador encontrou vestígios de ovidutos, que são órgãos femininos que funcionam de forma parecida com o útero humano. Ou seja, esses animais são geneticamente machos e produzem espermatozoides normalmente, mas carregam no corpo uma pequena lembrança de um sistema reprodutor feminino. Isso não significa que elas seja, pois as estruturas femininas são apenas vestígios e não funcionam para gerar filhotes. O fenômeno é comparado a uma condição rara chamada Síndrome da Persistência dos Ductos de Müller, onde o corpo "esquece" de reabsorver as estruturas femininas durante o desenvolvimento do embrião. É a primeira vez que algo assim é descrito com tantos detalhes para esse grupo de serpentes. Essa descoberta abre portas para novas discussões em sala de aula sobre como o sexo dos animais pode ser mais flexível e surpreendente do que mostram os livros didáticos tradicionais. Ainda não se sabe se o ambiente ou a genética causam isso, mas o achado sugere que ainda há muitos mistérios no que se refere à biologia das jiboias. Jiboia 'arco-íris' encontrada em Caldas Novas, Goiás Divulgação/Corpo de Bombeiros O valor das coleções A descoberta não aconteceu no meio do mato, mas sim dentro de "bibliotecas de animais" — as coleções científicas. Rafael Anzai analisou quase 130 jiboias preservadas em museus e institutos de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essas coleções são fundamentais para o ensino e para a pesquisa, pois permitem que os cientistas estudem animais coletados ao longo de décadas sem precisar retirar novos bichos da natureza. A jiboia arco-íris foi escolhida para o estudo por ser uma "vizinha" comum no Cerrado e por ter uma característica que facilita a pesquisa: ela vira adulta muito rápido. Enquanto a jiboia comum (Boa constrictor) precisa crescer até os três metros para começar a namorar, a arco-íris já está pronta para a reprodução quando atinge cerca de um metro de comprimento. Isso permitiu que o pesquisador encontrasse mais exemplares adultos para estudar e entender como funciona o ciclo de vida da espécie. Lutas por amor e fêmeas poderosas A vida amorosa das jiboias arco-íris segue um calendário rigoroso, com um "pico de romance" concentrado no outono. Diferente de nós, humanos, que podemos ter filhos em qualquer época, essas serpentes preferem as estações mais frias e secas. Durante esse período, os machos entram em um verdadeiro "clube da luta" particular: eles realizam combates rituais para disputar a atenção das fêmeas. O vencedor da briga ganha o direito de ficar com a pretendente, enquanto o perdedor precisa se retirar de fininho. Mas há um detalhe curioso nessa história: apesar de os machos serem os brigões, as fêmeas é que são as "poderosas" da relação. A pesquisa confirmou que, nessa espécie, as fêmeas costumam ser bem maiores que os machos. Essa diferença de tamanho tem uma explicação pedagógica interessante: as fêmeas maiores conseguem comer presas mais robustas e, por terem mais espaço no corpo, conseguem carregar ninhadas muito maiores. É a natureza priorizando a sobrevivência da próxima geração através do tamanho das mães.

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/05/14/pesquisa-da-usp-faz-descoberta-sobre-biologia-reprodutiva-de-jiboias-arco-iris-do-cerrado.ghtml


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