Lula cita possível interesse de Trump e defende exploração da Margem Equatorial pela Petrobras: 'Nós vamos ocupar'
18/05/2026
(Foto: Reprodução) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou nesta segunda-feira (18) a defender a exploração de petróleo da Margem Equatorial pela estatal brasileira Petrobras.
Durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras em São Paulo, Lula disse que o Brasil precisa ocupar e explorar o local com "a maior responsabilidade" porque "daqui a pouco" o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode "achar" que os recursos naturais são "dele" e avançar sobre área, como ameaçou fazer com a Groelândia, por exemplo.
⛽A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
🛢️O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.
"Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós. Agora, a gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo, mas a gente não pode deixar uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem porque daqui a pouco o Trump acha que é dele e vai lá", disse.
"Ele [Trump] achou que o Canadá era dele, que a Groenlândia era dele, que o Golfo do México era dele, o Canal do Panamá. Quem é que vai dizer que a Margem Equatorial é dele também? Então nós vamos ocupar. Vamos ocupar, explorar petróleo com a maior responsabilidade e fazer com que esse dinheiro possa ser revertido para garantir o futuro desse país", completou Lula.
A Margem Equatorial se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e tem cinco bacias de petróleo: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
No início deste ano, a Petrobras informou que interrompeu a perfuração na Bacia da Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho
A exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas é considerada estratégica pela Petrobras, mas enfrenta forte resistência de órgãos ambientais e entidades da sociedade civil. O tema ganhou repercussão nacional após o vazamento, intensificando o debate sobre os riscos da atividade em uma região de alta biodiversidade e relevância sociocultural.
Em outubro de 2025, após idas e vindas, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar esse poço em águas profundas na Margem Equatorial. O aval foi exclusivo para pesquisa exploratória, e a estatal iniciou a perfuração imediatamente após a autorização.
No mesmo discurso desta segunda-feira, Lula citou a crise mundial nos combustíveis e voltou a criticar Trump sobre a guerra no Irã. O petista disse que o conflito é "culpa" do norte-americano.
"Estamos tirando dinheiro da própria Petrobras, do orçamento do governo para não permitir que esse prejuízo chegue ao povo brasileiro, que ele não tem culpa da guerra do Irã. A guerra do Irã é culpa do Trump. Não é culpa do brasileiro e não é culpa de ninguém", disse o presidente.
Terras raras
Lula e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento em São Paulo
Reprodução/Canal Gov
Lula defendeu ainda a especialização da Petrobras para a exploração também de terras raras.
🔎Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos amplamente utilizados na indústria de tecnologia devido a propriedades magnéticas e ópticas, por exemplo. Apesar do nome, os itens não são necessariamente raros, mas de difícil extração, pois aparecem dispersos e misturados a outros minerais. São componentes importantes para smartphones, turbinas, baterias e para a defesa militar.
🔎 O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e enfrenta o desafio de evoluir para a etapa industrial (liderada pela China, que concentra 90% do processamento de terras raras no mundo).
Mais cedo, o presidente visitou o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas. Lula afirmou que, antes da visita, acreditava ser mais difícil desenvolver esse tipo de exploração.
"É uma potência para facilitar a Petrobras a descobrir petróleo e a gente explorar nossas terras raras. Eu estava pensando que era difícil, mas depois da minha visita hoje. A Petrobras não vai ser só uma empresa de petróleo, a Petrobras tem que ser a grande empresa de energia desse país. Com o potencial da Petrobras, ninguém segura esse país", disse Lula.
Durante a cerimônia em Campinas, Lula afirmou que o Brasil precisa acelerar o mapeamento e a exploração de terras raras e minerais críticos no país.
Ao comentar a disputa comercial e tecnológica no cenário internacional, Lula disse esperar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixe de “brigar” com o líder chinês Xi Jinping e passe a se associar ao Brasil em projetos ligados ao setor.
O presidente, no entanto, ressaltou que o país “não abre mão da soberania” sobre suas riquezas minerais.