Cheia do Rio Juruá já atinge mais de 28 mil pessoas no interior do Acre
04/04/2026
(Foto: Reprodução) Cheia do Rio Juruá afeta 28.350 pessoas em Cruzeiro do Sul
Carla Carvalho/Rede Amazônica
O nível do Rio Juruá continua em elevação em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, e segundo a Defesa Civil, a cheia já afeta 28.350 pessoas no município. Na medição das 6h deste sábado (4), o manancial marcou 14,15 metros e permanece acima da cota de transbordo, que é de 13 metros.
Ao todo, 7.087 famílias estão afetadas direta ou indiretamente pela cheia, que atinge bairros da zona urbana, comunidades rurais e vilas do município. Já o total estimado de pessoas desalojadas chega a 624 famílias.
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Ainda de acordo com o órgão, o número de famílias desabrigadas subiu de 21 para 50, e essas pessoas estão em abrigos montados pela prefeitura ou em casa de parentes.
A cota de transbordo que é fixada em 13 metros, foi ultrapassada na última segunda-feira (30). Na última sexta-feira (3), o rio havia registrado 14,10 metros e o número era de 4.991 famílias e 19,6 mil pessoas afetadas.
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Segundo a Defesa Civil, o aumento no número de atingidos e de pessoas fora de casa em menos de 24 horas mostra o avanço e os impactos da enchente na região. São 12 bairros, 15 comunidades rurais e três vilas. O órgão também acompanha esses moradores com assistência.
A remoção dos moradores teve início na tarde da última terça (31). No abrigo é fornecido café da manhã, almoço, jantar e atendimento social. Além da remoção para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica para 323 famílias.
As famílias desabrigadas estão nas seguintes escolas:
Escola Municipal Rita de Cássia, bairro do Cruzeirão;
Escola Municipal Corazita Negreiros, bairro Cobal;
Escola Municipal Padre Arnoud, bairro Nossa Senhora das Graças;
Escola Municipal Thaumaturgo de Azevedo, bairro do Alumínio;
Foram definidos como abrigos pela prefeitura, caso o número de desabrigados continue subindo:
Escola Rita de Cássia, no bairro Cruzeirão;
Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves;
Escola Padre Arnould, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças;
Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo; e
Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal.
As aulas nestas unidades serão suspensas assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas.
Remoção das famílias teve início na última terça-feira (31), em Cruzeiro do Sul (AC)
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também apresentam elevação no nível das águas:
Os locais atingidos pelas águas na zona urbana são: Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro, Centro e Boca do Moa.
Já as comunidades rurais afetadas são: Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia, Ramal do Escondido, Boca do Moa, Tatajuba, Mujú e Uruburetama.
As vilas afetadas são: Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
Por conta da cheia do Rio Juruá famílias afetadas precisaram receber água potável
Assessoria Saneacre
Abastecimento de água
Além das remoções e com a elevação do Rio Juruá, o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) fez, na última sexta-feira (3), uma ação emergencial para garantir o abastecimento de água potável às famílias afetadas. A distribuição foi feita por caminhão-pipa no bairro da Várzea, uma das regiões atingidas.
Segundo o órgão, o fornecimento pela rede pública é interrompido em áreas alagadas para evitar a contaminação da água tratada.
Nesses casos, o abastecimento alternativo é adotado para garantir água segura para consumo e uso doméstico.
Cheias recentes
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal.
Cheia do Rio Juruá em janeiro de 2026 em Cruzeiro do Sul, interior do Acre
Carla Carvalho/Rede Amazônica
Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia. Ao todo, 1.650 famílias enfrentaram prejuízos causados pela inundação, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município.
Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais.
VÍDEOS: g1